Translations

Português (Португальский)

Visto que há exatos cem anos, em Outubro de 1917, ocorreu a Revolução Russa, falemos de Nikolay Gumilyov, que escreveu o primeiro poema aos 12 anos e foi publicado pela primeira vez aos 16. Seu promissor talento sofreu, a princípio, a influência simbolista: entre 1906 e 1908 viveu em Paris e visitou a África, cuja exuberância e cores não mais abandonariam seus versos. De volta a São Petersburgo fundou com outros poetas a revista Apollon, a mais importante publicação literária russa de antes da guerra. Em 1910 casou-se com a poeta Anna Akhmatova, de quem se separaria menos de um ano depois. Em 1911 criou, com Serguei Gorodetsky, a “Guilda dos Poetas”, da qual fizeram parte Akhmatova e Ossip Mandeltam e onde nasceu a corrente acmeista, de linhagem modernista. Na Primeira Guerra Mundial Gumilyov se alistou como voluntário na Cavalaria, e sua bravura no campo de batalha lhe rendeu duas vezes a Cruz de São Jorge. Sua vida, aliás, foi trepidante: poeta, aventureiro, herói de guerra, sedutor, apaixonado. É o maior autor dos chamados Anos de Prata da poesia russa. Dos bolcheviques jamais gostou nem teve medo: fazia o sinal da cruz diante das igrejas, simpatizava abertamente com a monarquia, de modo que em 1921, isto é, antes da morte de Lenin e da chegada de Stalin ao poder, foi acusado de conspiração contra-revolucionária, preso e executado com um tiro na nuca, sem julgamento, num bosque nos arredores de São Petersburgo. Suas obras permaneceram proibidas por mais de 60 anos, até a queda do regime, quando se descobriu que as acusações tinham sido totalmente fabricadas. Hoje faz parte do canon da poesia russa moderna.

Rádio Cultura FM

  • A Girafa. Fabio Malavoglia (Фабио Малавоглия)